The National Times - Vidro gravado com laser pode armazenar dados por milênios, indica Microsoft

Vidro gravado com laser pode armazenar dados por milênios, indica Microsoft


Vidro gravado com laser pode armazenar dados por milênios, indica Microsoft
Vidro gravado com laser pode armazenar dados por milênios, indica Microsoft / foto: © AFP/Arquivos

E se o vidro pudesse guardar nossos dados sem consumir tanta energia quanto os atuais dispositivos de armazenamento e durante milênios? Este é o objetivo do projeto Silica da Microsoft, que revelou seus novos avanços nesta quarta-feira (18) na revista Nature.

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Desde 2019, o projeto Silica tem como objetivo desenvolver um sistema de armazenamento em placas de vidro, um pouco como no início da fotografia, quando os negativos eram conservados neste tipo de suporte.

A iniciativa baseia-se em vidro de silício, muito puro, comum e utilizado, por exemplo, na fabricação de tubos de lâmpadas halógenas ou espelhos de telescópios. Tem a vantagem de ser resistente a variações de temperatura, impermeável à umidade e imune a interferências eletromagnéticas.

Exatamente o contrário dos atuais centros de armazenamento, que consomem muita energia e onde os discos rígidos e outros suportes têm de estar altamente protegidos.

Os materiais atuais têm, além disso, uma vida útil limitada que obriga a realizar cópias de segurança periódicas ao fim de alguns anos.

No estudo publicado nesta quarta-feira, a Microsoft Research, a divisão de pesquisa do gigante do software, apresenta uma "solução de armazenamento de arquivos" completa, que vai desde o registo até à restituição dos dados, passando pela sua conservação sem problemas por dezenas de milhares de anos.

- Pixels em 3D -

Este sistema, chamado Silica, tem quatro etapas: gravação, armazenamento, leitura e descodificação, todas validadas por inúmeros testes publicados no estudo.

O Silica regista primeiro os dados diretamente no interior das placas de vidro graças a um laser ultrarrápido multifásico, um laser de femtosegundo. O laser grava pixels tridimensionais chamados voxels.

Na prática, "os dados do usuário chegam sob a forma de uma série de bits, que depois são agrupados em símbolos. Cada símbolo corresponde a um voxel".

Os lasers gravam estes voxels em 2D nas placas de vidro, empilhando-os camada por camada, em 3D, "de baixo para cima ao longo da espessura da placa de vidro, até que fique completamente preenchida", detalha o estudo.

As placas de vidro são depois armazenadas em bibliotecas que não requerem condições atmosféricas especiais.

Quando o usuário quer recuperar seus dados, o Silica utiliza um microscópio automatizado equipado com uma câmera que lhe permite ler e capturar as imagens de cada uma das camadas de voxels. Estas imagens são posteriormente descodificadas, sobretudo com recurso à inteligência artificial, para recuperar seu formato original.

- 10.000 anos -

Segundo o estudo, o sistema tem uma capacidade de escrita de 65,9 megabits de dados por segundo. E pode armazenar 1,59 gigabits de dados por milímetro cúbico, ou seja, 4,84 terabytes num pedaço de vidro de 12 centímetros quadrados e dois milímetros de espessura.

Neste simples pedaço de vidro podem ser armazenados "cerca de 2 milhões de livros impressos ou 5.000 filmes 4K de ultra-alta definição", estimam os autores do estudo.

Uma das vantagens deste método de armazenamento é sua duração. Os pesquisadores calculam que "os dados poderiam continuar legíveis dentro de 10.000 anos", mesmo se forem submetidos a temperaturas de 290°C.

Estas estimativas, porém, não levam em conta o impacto de, por exemplo, complicações mecânicas ou corrosão química, que podem degradar o suporte de vidro e seus dados.

Outra vantagem é a segurança: como estes dados não são armazenados em linha, não podem ser alvo de pirataria, salvo se as placas forem fisicamente roubadas.

O estudo lembra que os dados gerados pela atividade humana "quase duplicam a cada três anos" no mundo, o que alerta para a necessidade de procurar métodos alternativos de armazenamento.

H.Davies--TNT

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