The National Times - Ativistas no Rio exigem acesso a medicamentos genéricos contra o HIV

Ativistas no Rio exigem acesso a medicamentos genéricos contra o HIV


Ativistas no Rio exigem acesso a medicamentos genéricos contra o HIV
Ativistas no Rio exigem acesso a medicamentos genéricos contra o HIV / foto: © AFP

Ativistas reunidos nesta semana em uma conferência internacional sobre a aids, no Rio de Janeiro, exigiram um acesso mais amplo às versões genéricas de um medicamento promissor para a prevenção do HIV, cujo custo pode chegar a dezenas de milhares de dólares por ano.

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Apesar de terem participado dos ensaios clínicos, países de renda média, como Brasil, Argentina e México, ficaram de fora do acesso à versão genérica do medicamento lenacapavir, que, segundo os pesquisadores, pode ser produzido por apenas 40 dólares (R$ 205) por ano.

Manifestantes invadiram o palco na segunda-feira (27), durante a abertura da Conferência Internacional sobre Aids, no Rio, com cartazes que diziam: "A ganância da indústria farmacêutica está nos matando" e "Usam nossos corpos e depois nos negam o acesso".

"Como a América Latina pode continuar sendo excluída das licenças de medicamentos que salvam vidas? Isso é uma injustiça", denunciou Winnie Byanyima, diretora do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids).

O medicamento, aplicado por injeção duas vezes ao ano, reduz o risco de transmissão do HIV em quase 100%. Ele é considerado uma mudança de paradigma no enfrentamento de uma doença que matou mais de 40 milhões de pessoas em quatro décadas.

Os comprimidos de uso diário para prevenir a infecção existem há mais de uma década, mas os pacientes enfrentam estigmas e precisam se lembrar de tomá-los todos os dias.

A América Latina é uma das três regiões do mundo onde o número de novas infecções por HIV está aumentando. No entanto, as empresas farmacêuticas excluem muitos países da região do acesso aos medicamentos genéricos por eles não se enquadrarem na categoria de países de baixa renda.

"Isso é inaceitável, porque boa parte dos ensaios foi realizada nesta região, e as empresas farmacêuticas estão obrigando esses países a pagar preços muito altos", disse à AFP, nesta terça-feira, Antonio Flores, infectologista da organização Médicos Sem Fronteiras.

A Gilead Sciences, detentora da patente do lenacapavir, vende o medicamento nos Estados Unidos por cerca de 28 mil dólares (R$ 143 mil) por paciente, referentes às duas injeções anuais.

O vice-presidente sênior da Gilead Sciences, Jared Baeten, afirmou que a empresa oferece, com apoio de doadores, 3 milhões de doses, a maioria destinada a países de baixa renda na África.

A Gilead também assinou acordos de licenciamento sem cobrança de royalties com seis fabricantes de medicamentos genéricos, que abastecerão 120 países. Até o fim do ano, 600 mil pessoas estarão em tratamento com lenacapavir.

Byanyima defendeu que 20 milhões de pessoas tenham acesso ao medicamento.

A presidente da Sociedade Internacional de Aids, Beatriz Grinsztejn, que liderou os ensaios clínicos no Brasil, disse à AFP que, enquanto o restante do país aguarda o acesso ao medicamento, os participantes da pesquisa terão garantido o acesso contínuo ao lenacapavir.

"Senão a gente, como pesquisador, estaria sendo antiético."

R.T.Gilbert--TNT