Às vésperas das eleições, Lula se inspira em Bad Bunny para criticar Trump
"Querem tomar o rio, e também a praia, querem as terras raras", diz a versão de uma música de Bad Bunny com a qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defende a soberania perante os Estados Unidos na campanha eleitoral.
Lula, de 80 anos, disputará no próximo domingo (4) o primeiro turno da eleição em que tentará seu quarto mandato. Seu adversário é o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente de extrema direita Jair Bolsonaro.
A disputa ocorre em meio a uma onda de eleições de presidentes conservadores na região sob a influência do presidente americano, Donald Trump, aliado de Jair Bolsonaro.
O presidente Lula publicou em suas redes sociais uma adaptação livre para o português de "Lo que le pasó a Hawaii", de Bad Bunny, artista que já foi alvo de críticas de Trump.
Com quase sete milhões de visualizações nas redes sociais, a música pede para "não soltar a bandeira" do Brasil.
O vídeo também mostra uma imagem do presidente americano com uma corda amarrada ao pescoço do candidato de direita. Termina com a voz rouca de Lula dizendo: "O Brasil tem um único dono: o povo brasileiro".
Bad Bunny incluiu a música, sobre a perda do território e da identidade cultural, no repertório de sua apresentação no último Super Bowl, marcada por críticas indiretas a Trump.
O presidente americano classificou o espetáculo como uma "afronta à grandeza" dos Estados Unidos.
Uma fonte do Partido dos Trabalhadores disse à AFP que Bad Bunny não cedeu os direitos da música.
A assessoria de imprensa do artista porto-riquenho não respondeu a um pedido de informações da AFP.
"Bad Bunny é um artista que reconhece nosso valor" e "esteve no maior palco do mundo para reafirmar que todos somos América", disse Warlen Pereira, contador de 30 anos, durante um ato de Lula em São Paulo.
Na semana passada, Lula afirmou na Assembleia Geral da ONU que o Brasil "não cabe no quintal de ninguém". Ele também advertiu Trump contra "se meter nas eleições" brasileiras.
Washington impôs neste ano dois 'tarifaços' ao Brasil, o que o governo Lula classificou como uma tentativa de interferência eleitoral.
Até agora, Trump não declarou apoio explícito ao filho de seu aliado, embora tenha recebido o senador este ano para um encontro privado na Casa Branca.
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T.Hancock--TNT