The National Times - Sánchez ultrapassa Keiko em disputa eleitoral indefinida no Peru

Sánchez ultrapassa Keiko em disputa eleitoral indefinida no Peru


Sánchez ultrapassa Keiko em disputa eleitoral indefinida no Peru
Sánchez ultrapassa Keiko em disputa eleitoral indefinida no Peru / foto: © AFP

O esquerdista Roberto Sánchez assumiu nesta segunda-feira (8) a dianteira na apuração do segundo turno eleitoral no Peru, e superava por uma pequena margem a candidata de direita Keiko Fujimori, em uma disputa cujo resultado permanece incerto.

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Com pouco mais de 94% das atas apuradas, Sánchez tinha 50,03% dos votos, contra 49,9% para Keiko, uma diferença de menos de 10 mil votos, segundo o Escritório Nacional de Processos Eleitorais (Onpe). Para que o segundo turno tenha um vencedor, também devem ser revisadas atas impugnadas que contêm cerca de 450 mil votos, o que pode levar dias.

"Estamos muito confiantes e otimistas, com tranquilidade para respeitar 100% os resultados", disse Sánchez hoje. Pouco antes, Keiko pediu calma: "Temos que esperar até o final. O que é necessário nesses momentos é paciência e serenidade. Vamos respeitar o resultado, seja ele qual for."

Em sua quarta tentativa de conquistar a Presidência, a filha do ex-presidente autocrata Alberto Fujimori (1990-2000) enfrentou o estreante Sánchez, herdeiro político do ex-mandatário Pedro Castillo, este último preso após uma tentativa de autogolpe de Estado em 2022.

Muitos eleitores disseram esperar que o novo governo acabe com a criminalidade no país e com a turbulência política que levou o Peru a ter oito presidentes desde 2016.

"É um empate técnico, está aberto para qualquer um. É um resultado que pode ser revertido nas próximas horas, ainda não se fala de vencedor ou vencedora", disse à AFP o especialista em temas eleitorais José Tello.

- Comemoração nos dois lados -

Keiko, uma administradora de empresas de 51 anos, apelou ao legado ambivalente de seu pai, que estabilizou a economia, derrotou a insurgência, mas foi acusado de crimes contra a humanidade.

"Estou feliz, porque sei que ela vai fazer um bom governo. Porque ela quer limpar a imagem do pai", afirmou a dona de casa Gladys Silva, 56, durante a comemoração antecipada de ontem.

Sánchez, um congressista e ex-ministro de 57 anos, reivindicou o legado de Castillo. Como demonstração de lealdade, usa o chapéu camponês que ganhou dele, prometeu indultar o ex-presidente e o visitou na prisão no domingo.

"Queremos uma mudança, porque estamos cansados da corrupção, do fujimorismo que administra o país como se fosse sua chácara", disse Marlene Veramendi, 46, na outra comemoração antecipada.

A votação, para a qual foram convocados 27 milhões de eleitores, aconteceu sem incidentes, ao contrário do caótico primeiro turno de abril.

- 'Legitimidade frágil' -

Keiko prometeu prosperidade e advertiu sobre o perigo do "comunismo".

Sánchez moderou seu discurso de "mudança radical" do primeiro turno, distanciou-se dos ultranacionalistas e disse à AFP que deseja ter uma relação "respeitosa" com Washington. O esquerdista acusa Keiko de integrar a "ditadura" do Congresso poderoso que derruba presidentes, onde ela é influente.

Sem afetar o segundo turno, um juiz enviou Sánchez a julgamento por supostas irregularidades financeiras em seu partido. Se for eleito presidente, ele terá imunidade, mas ficará vulnerável diante de um Parlamento inclinado à direita.

"O eleito terá metade do país contra si e uma legitimidade frágil, razão pela qual, sem maioria legislativa, deverá construir uma coalizão para governar", disse à AFP o cientista político Paulo Vilca. O vencedor substituirá em 28 de julho o presidente interino, José María Balcázar, para um mandato de cinco anos.

- Criminalidade -

A maior preocupação dos peruanos é com a insegurança, em um país onde se proliferam grupos criminosos e as denúncias de extorsão aumentaram nove vezes em cinco anos.

Para enfrentar a violência, Keiko sugere a linha-dura: militarizar as prisões e as zonas de conflito, e expulsar migrantes para acabar com a "criminalidade" com a "mesma força" - segundo ela - com que seu pai venceu a insurgência nos anos 1990. Já Sánchez propõe enfrentar a corrupção na polícia e na Justiça, diante do que denuncia ser uma cumplicidade das elites políticas com os criminosos.

A base eleitoral de Sánchez se encontra na zona rural empobrecida, onde a insegurança é menor. A de Keiko fica em Lima, onde a taxa de homicídios triplicou entre 2020 e 2025 e chegou a 23 em cada 100 mil habitantes.

O próximo presidente vai receber um Peru economicamente estável, com um crescimento do PIB de 3,4%. Mas sete em cada dez trabalhadores estão na informalidade.

Keiko defende propostas neoliberais e a atração de investimentos. Já Sánchez propõe aumentos salariais e uma economia mais estatatizada.

V.Allen--TNT