The National Times - Ativistas da flotilha para Gaza expulsos por Israel chegam à Turquia

Ativistas da flotilha para Gaza expulsos por Israel chegam à Turquia


Ativistas da flotilha para Gaza expulsos por Israel chegam à Turquia
Ativistas da flotilha para Gaza expulsos por Israel chegam à Turquia / foto: © AFP

Ativistas da flotilha para Gaza expulsos por Israel chegaram nesta quinta-feira (20) à Turquia, um dia depois da indignação internacional provocada por um vídeo em que apareciam sendo humilhados durante sua detenção.

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Eles foram recebidos no aeroporto internacional de Istambul por um numeroso comitê de apoio que agitava bandeiras palestinas. Alguns dos repatriados apresentavam ferimentos e outros foram levados de ambulância, segundo imagens da AFP.

"As forças israelenses nos atacaram", contou ao descer do avião Bulal Kitay, um turco que planeja voltar a partir no próximo comboio. "Todos fomos espancados, tanto mulheres quanto homens, muitos gritavam. Mas, na verdade, isso não tem nenhuma importância. É o que os palestinos vivem constantemente".

Os ativistas passaram dois dias em uma prisão militar em um navio, construída com contêineres e arame farpado, descreveu à AFP por telefone Safa Chebbi, uma ativista canadense.

Além das humilhações e da privação de sono, "estávamos sob ameaça constante, balas de plástico foram disparadas contra a multidão, um dos passageiros ficou ferido", afirmou.

Por sua vez, a coalizão Freedom Flotilla informou que "dois sul-coreanos foram deportados para a Coreia do Sul, um participante foi deportado para o Egito, dois para a Jordânia, uma cidadã israelense foi libertada no país, e o restante dos 422 participantes foi transferido para Istambul a bordo de três voos da Turkish Airlines fretados pelo governo turco".

As cerca de 430 pessoas que estavam a bordo de aproximadamente 50 embarcações foram interceptadas na segunda-feira pelo Exército israelense no Mediterrâneo, a oeste de Chipre, e depois levadas à força para Israel e detidas na prisão de Ktziot, afirmou a ONG Adalah, que as representou legalmente.

"Todos os ativistas estrangeiros da flotilha da Solidariedade com a Palestina foram deportados de Israel. Israel não permitirá nenhuma violação do bloqueio naval legal sobre Gaza", declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Oren Marmorstein, sem especificar se eles haviam sido julgados.

Após a divulgação das imagens dos ativistas com as mãos amarradas e ajoelhados, com a testa contra o chão, publicadas pelo ministro israelense da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, países como Espanha e Itália pediram sanções da União Europeia contra o alto funcionário, e a Irlanda solicitou medidas contra Israel.

- "Inaceitável" -

Os ativistas da "Global Sumud Flotilla" ("sumud" significa resiliência em árabe) queriam chamar atenção para a situação humanitária na Faixa de Gaza, devastada por mais de dois anos de guerra entre Hamas e Israel.

Eles buscavam romper o bloqueio marítimo que o Estado hebreu impõe ao pequeno território palestino.

As imagens publicadas por Ben Gvir, que mostram um jovem gritando "Libertem a Palestina" à passagem do ministro e terminando com a cabeça pressionada contra o chão pelos serviços de segurança, provocaram inclusive uma onda de indignação dentro do próprio governo.

Gvir, do partido Poder Judaico, foi criticado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e pelo ministro das Relações Exteriores israelense.

Mas Netanyahu defendeu que seu país "tem pleno direito de impedir que flotilhas provocadoras de apoiadores terroristas do Hamas" entrem em suas águas territoriais e cheguem a Gaza, em referência ao movimento islamista palestino que desencadeou a guerra ao lançar um ataque sem precedentes contra Israel em 7 de outubro de 2023.

As reações internacionais, especialmente dos países cujos cidadãos foram detidos, não demoraram a chegar.

O chefe do governo espanhol, Pedro Sánchez, classificou as imagens como "inaceitáveis" e anunciou que seu país impulsionará a imposição de sanções da UE contra o ministro israelense.

A relatora especial da ONU sobre a situação dos direitos humanos nos Territórios Palestinos Ocupados, a italiana Francesca Albanese, afirmou no X que o que esses ativistas sofreram é "um tratamento de luxo comparado ao que é infligido aos palestinos nas prisões israelenses".

 

Ele disse ter ouvido os agentes israelenses dizerem "vamos nos divertir" em inglês.

"Confiscaram o remédio de uma pessoa que sofria de epilepsia. A bordo do barco 'Sirius', havia sete pessoas com 35 fraturas no total", acrescentou.

G.Waters--TNT