The National Times - Em busca da reeleição, Lula visita Trump para dissipar tensões

Em busca da reeleição, Lula visita Trump para dissipar tensões


Em busca da reeleição, Lula visita Trump para dissipar tensões
Em busca da reeleição, Lula visita Trump para dissipar tensões / foto: © AFP

A cinco meses das eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) busca amenizar as tensões com os Estados Unidos em uma visita ao seu homólogo Donald Trump, com quem mantém uma relação de altos e baixos.

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Os dois líderes se reunirão a partir das 11h00 (12h00 no horário de Brasília) e depois almoçarão juntos.

A Casa Branca mantém o encontro com discrição, sem coletiva de imprensa conjunta, diferentemente do que ocorreu há três meses com o presidente colombiano, Gustavo Petro, outro líder latino-americano que teve desentendimentos com Trump.

Além das diferenças ideológicas, ambos os países têm importantes interesses comerciais em jogo.

O Brasil resistiu firmemente às tarifas de Trump no ano passado, até que Washington suspendeu algumas dessas taxações devido às pressões inflacionárias sobre commodities como café e carne bovina.

Washington demonstrou interesse nas reservas de terras raras do Brasil, e a Embraer, empresa aeroespacial brasileira, considera os Estados Unidos um de seus maiores mercados, o qual busca manter sem barreiras tarifárias.

Lula e Trump (com 80 e 79 anos, respectivamente) compartilham um estilo político direto e franco, com uma abordagem personalista da política, o que permitiu que seus caminhos se cruzassem na Assembleia Geral da ONU em setembro do ano passado e que, inesperadamente, decidissem que precisavam se reunir pessoalmente para esclarecer quaisquer mal-entendidos.

No entanto, a abrangente política externa dos EUA, tanto dentro quanto fora da América Latina, gera alarme em Brasília.

A reunião na Casa Branca foi adiada e negociada diplomaticamente e, nesse meio tempo, eventos como a queda do presidente venezuelano deposto, Nicolás Maduro, e a guerra contra o Irã tomaram conta do cenário político.

"Trump não tem o direito de acordar de manhã e achar que pode ameaçar um país", declarou Lula em recente entrevista.

Ao mesmo tempo, o presidente brasileiro condenou a recente tentativa de assassinato contra Trump e rejeitou a violência política.

Lula enfrenta um ano eleitoral complicado, com uma oposição conservadora que lhe impôs algumas derrotas no Congresso e com pesquisas que apontam um empate técnico em outubro com o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Trump nunca escondeu sua clara preferência pelo ex-presidente, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, e já manifestou publicamente seu apoio a Flávio.

Outro filho, Eduardo Bolsonaro (PL-SP), mudou-se para os Estados Unidos no ano passado para fazer lobby em nome de seu pai e mantém contato regular com o governo Trump.

- Combate ao crime -

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, que integra delegação brasileira, afirmou na quarta-feira que Brasília deseja ampliar a cooperação bilateral no combate às facções de drogas.

Os Estados Unidos e o Brasil assinaram um acordo em abril para combater o tráfico de armas e drogas. Por meio desse acordo, compartilham dados, como inspeções por raio-X de contêineres que viajam dos Estados Unidos para o Brasil.

Trump priorizou o combate ao que chama de "narcoterrorismo" em seu segundo mandato e designou grandes cartéis latino-americanos como organizações terroristas estrangeiras.

Lula poderia usar isso para conquistar o apoio de Trump, mas outra nuvem paira sobre o país: a possibilidade de Washington designar as duas maiores facções criminosas do Brasil, o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), como organizações terroristas.

Essa possibilidade irrita o governo Lula devido às implicações legais e de soberania de aplicar um marco de terrorismo a grupos criminosos.

M.Wilson--TNT