The National Times - Indígenas pedem maior proteção às suas terras em marcha em Brasília

Indígenas pedem maior proteção às suas terras em marcha em Brasília


Indígenas pedem maior proteção às suas terras em marcha em Brasília
Indígenas pedem maior proteção às suas terras em marcha em Brasília / foto: © AFP

Comunidades indígenas de todo o país iniciaram, nesta terça-feira (7), uma marcha em Brasília para exigir maior celeridade na demarcação de terras ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e protestar contra o Congresso, a seis meses das eleições em que Lula busca a reeleição.

Alterar tamanho do texto:

Os povos originários deram amplo apoio a Lula quando ele derrotou, em 2022, seu antecessor de extrema direita, Jair Bolsonaro, em cujo governo as demarcações de terras foram congeladas e o desmatamento avançou na Amazônia, onde vive boa parte dos indígenas.

Em um gesto simbólico, o mandatário nomeou uma figura respeitada, Sonia Guajajara, da etnia Guajajara-Tenetehara, para chefiar o inédito Ministério dos Povos Indígenas.

O governo Lula exibe uma queda do desmatamento na Amazônia — que prometeu erradicar até 2030 — e a homologação de cerca de 20 terras para uso exclusivo das comunidades indígenas, o que para alguns não é suficiente.

"Nossa pauta principal ainda é a demarcação dos territórios indígenas", disse à AFP Toya Manchineri, da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab).

Especialistas consideram que as reservas indígenas contribuem na luta contra a mudança climática e na preservação da biodiversidade.

O Brasil tem 1,7 milhão de indígenas em uma população total de 212 milhões de habitantes.

- Congresso "inimigo" -

Os indígenas acampam em Brasília até sexta-feira, com danças, mercados de artesanato, música e debates.

Milhares marcham nesta terça-feira em direção ao Congresso, ao qual a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) acusa de ser "inimigo dos povos" e aliado do poderoso setor agrícola.

De maioria conservadora, o Congresso aprovou em 2023 a lei do marco temporal, que limita as reivindicações dos povos originários sobre suas terras.

Embora o Supremo Tribunal Federal (STF) tenha invalidado esta legislação, setores de direita insistem: avança no Congresso uma emenda para incluir a tese na Constituição.

Na prática, esta brecha legal deixa as áreas indígenas "livres" à penetração de práticas agrícolas e mineradoras, afirma Manchineri. "O impacto é bastante grande", declarou.

Na quinta-feira, voltarão a marchar sob o lema "Demarca Lula".

Segundo a Apib, cerca de cem terras indígenas aguardam a assinatura do governo.

Apesar disso, os povos originários "vão novamente levar seus votos para a reeleição" de Lula, prevê Manchineri.

Embora tenha reivindicado "justiça e recursos" para sua comunidade, Marilene Gervasio, da etnia Baré, cuja terra na Amazônia foi demarcada, confiou em que o líder de esquerda possa ser "eleito de novo".

Lula se prepara para disputar as eleições de outubro contra o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente de extrema direita. As últimas pesquisas apontam para um segundo turno acirrado entre ambos.

A.Wood--TNT