The National Times - Direita pretende conquistar Paris em eleições locais acirradas

Direita pretende conquistar Paris em eleições locais acirradas


Direita pretende conquistar Paris em eleições locais acirradas
Direita pretende conquistar Paris em eleições locais acirradas / foto: © AFP

Paris passou por uma profunda transformação nos últimos anos: inúmeros ciclistas, pessoas nadando no Sena no verão e ar mais limpo. Mas as preocupações com a insegurança e o lixo podem abrir caminho para o retorno da direita ao poder após 25 anos.

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As eleições municipais de 15 e 22 de março marcarão o fim do governo da prefeita socialista Anne Hidalgo, que recusou-se a concorrer a um terceiro mandato.

"Paris pode se inclinar para a direita", disse Mathieu Gallard, diretor de pesquisa da Ipsos BVA, à AFP. Ele acredita que a disputa parece estar muito acirrada, impulsionada por "uma forte demanda por mudança" e por uma tendência favorável à esquerda observada em eleições anteriores.

Em um de seus últimos atos públicos como prefeita, a inauguração de uma "floresta urbana" na quarta-feira, Hidalgo defendeu seus 12 anos à frente da Cidade Luz: "Transformamos a cidade (...) Percorremos um longo caminho, mas precisamos ir ainda mais longe".

Seu antigo braço direito, o deputado socialista Emmanuel Grégoire, lidera as intenções de voto para o primeiro turno com sua lista de coalizão com ambientalistas e comunistas, mas pode perder no segundo turno para a ex-ministra conservadora Rachida Dati.

"Se Rachida Dati vencer... será um verdadeiro retrocesso para Paris", alertou Hidalgo, observando que a ex-ministra da Justiça (2007-2009) enfrentará julgamento por corrupção e tráfico de influências.

A vitória dependerá do número de candidatos que ultrapassarem a barreira dos 10% para chegar ao segundo turno e da capacidade desses candidatos de formar alianças. Além de Grégoire e Dati, outros três candidatos podem se classificar: Pierre-Yves Bournazel (centro-direita), Sarah Knafo (extrema direita) e Sophia Chikirou (esquerda radical), segundo as pesquisas.

Apesar da necessidade de se chegar a acordos para vencer o segundo turno, a campanha eleitoral tem sido marcada por uma enxurrada de recriminações e ataques pessoais, assim como por denúncias de violência sexual em escolas parisienses.

A morte de um ativista de extrema direita em Lyon, pelas mãos de um grupo antifascista próximo ao partido A França Insubmissa (LFI, extrema esquerda), e as controvérsias em torno do suposto antissemitismo de seu líder, Jean-Luc Mélenchon, complicam as alianças com o restante da esquerda, especialmente com os socialistas.

"Aqui em Paris, as eleições parecem uma guerra de egos; a única coisa que querem é poder", disse Jules Crohet, estudante de Letras, à AFP. Diferentemente de 2020, ele não votará este ano porque está "enojado" com a campanha.

Cerca de 1,4 milhão de parisienses estão aptos a votar.

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F.Harris--TNT