The National Times - Congresso dividido antecipa batalha pela presidência na Colômbia

Congresso dividido antecipa batalha pela presidência na Colômbia


Congresso dividido antecipa batalha pela presidência na Colômbia
Congresso dividido antecipa batalha pela presidência na Colômbia / foto: © AFP

As eleições legislativas deixaram o Congresso dividido na Colômbia antes das presidenciais de maio, que devem ser uma disputa acirrada entre as forças de esquerda do presidente Gustavo Petro e as da direita de oposição.

Alterar tamanho do texto:

Em meio à apuração em curso, os primeiros cálculos apontam o governista Pacto Histórico como a legenda com o maior número de cadeiras, seguida de perto pelo partido direitista Centro Democrático.

"Seguimos polarizados tanto na Câmara quanto no Senado [...] Tomara que, para o bem do povo, o [presidente] que chegar não venha tão extremo e cumpra", disse à AFP Francisco Vargas, de 56 anos, bancário que se disse "surpreso" com os resultados apertados.

Veja, a seguir, três pontos-chaves para entender o que está em jogo após as eleições que renovaram o Congresso colombiano, de 285 membros.

1. Como fica o novo Congresso?

A esquerda do presidente Petro sai na frente como principal bancada no Senado.

Segundo as contagens e análises, o Pacto Histórico pode ganhar até cinco assentos a mais em relação à eleição passada, na qual obteve 20.

Também é projetada sua predominância na Câmara Baixa. Os resultados oficiais podem demorar até uma semana.

Por sua vez, espera-se que a direita tradicional liderada pelo ex-presidente Álvaro Uribe passe de 13 para cerca de 17 senadores, mas ainda longe dos números que alcançava antes da vitória de Petro em 2022.

Ambas as bancadas são obrigadas a formar alianças para levar adiante seus projetos, pois nenhuma conta com maiorias nas duas câmaras.

A configuração do novo Congresso ficou "excelente [...] pelo menos a extrema direita está sendo derrotada", declarou Fabio Hurtado, um motorista de 62 anos.

Nessas eleições e nas presidenciais de 31 de maio, a segurança, a saúde e a desigualdade estão entre os temas que mais preocupam os colombianos.

Na Colômbia "há muito a ser feito em temas de segurança", disse à AFP David Murillo, recrutador em uma multinacional de 29 anos que esperava "mais apoio ao centro".

2. O baralho das presidenciais

Os resultados evidenciaram o duelo acirrado entre esquerda e direita esperado para as eleições presidenciais, com pouca margem para forças de centro ou alternativas.

Iván Cepeda, uma forte liderança da esquerda que desponta como favorito, celebrou o avanço de seu partido entre aplausos e ovações.

Somos "a primeira força política da Colômbia", afirmou em um discurso ao fim de um dia avaliado por analistas como favorável à esquerda.

O governismo se mantém forte após quase quatro anos de governo de Petro e em um momento em que a direita se impõe em boa parte da América Latina.

"O povo gosta da gente e nos apoiou nas urnas", comemorou Cepeda.

Seu principal adversário, o advogado Abelardo de la Espriella, moderou o tom em um vídeo acompanhado por um pequeno grupo de membros de seu movimento político de direita que foram eleitos como legisladores.

O partido de Petro é "a maior bancada do Congresso da República, isso é muito grave", declarou ao conclamar à "união" para deter o "inimigo" Cepeda.

No domingo, a senadora Paloma Valencia lançou-se como uma terceira via ao vencer com folga primárias sem a participação dos candidatos favoritos.

Essa herdeira política do ex-presidente Uribe (2002-2010) pode encarnar uma direita moderada em comparação com De la Espriella, cujas propostas são consideradas extremistas.

"Paloma é luz para a Pátria", escreveu Uribe nas redes sociais, cujo apoio já foi determinante no passado para eleger presidentes na Colômbia.

3. O adeus das Farc

Dez anos depois de assinarem a paz, os ex-guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) desapareceram como força política, após obterem um resultado pífio nas urnas.

O histórico acordo de 2016 permitiu a seus membros criar o partido Comunes e lhes garantiu 10 cadeiras no Congresso de 2018 a 2026.

Encerrado esse período, eles deveriam se submeter às urnas nas eleições de domingo para manter seus assentos no Legislativo.

Mas nenhum dos 17 candidatos foi eleito, nem a coalizão à qual pertenciam superou o piso necessário para manter o reconhecimento como partido.

"Ratificamos nosso compromisso inabalável com a implementação" do acordo de paz, asseguraram os ex-guerrilheiros em um comunicado.

Após o desarmamento das Farc, a violência e a insegurança continuam sendo uma das maiores preocupações dos cidadãos na Colômbia, o maior produtor de cocaína do mundo.

P.Jones--TNT