The National Times - Diplomatas da Rússia e EUA se reunirão em Riad para 'restabelecer' as relações

Diplomatas da Rússia e EUA se reunirão em Riad para 'restabelecer' as relações


Diplomatas da Rússia e EUA se reunirão em Riad para 'restabelecer' as relações
Diplomatas da Rússia e EUA se reunirão em Riad para 'restabelecer' as relações / foto: © POOL/AFP

As principais autoridades diplomáticas da Rússia e dos Estados Unidos se reunirão na terça-feira (18) na Arábia Saudita para "restabelecer" as relações entre os dois países, preparar as negociações sobre a Ucrânia e planejar um possível encontro entre Vladimir Putin e Donald Trump.

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Washington enviou seu secretário de Estado, Marco Rubio, que chegou nesta segunda-feira (17) na Arábia Saudita, enquanto Moscou enviou dois negociadores experientes: o chanceler Serguei Lavrov e o conselheiro diplomático do Kremlin, Yuri Ushakov. Ambos devem desembarcar em Riad nas próximas horas.

Além disso, Rubio está acompanhado pelo conselheiro de Segurança Nacional, Mike Waltz, e pelo enviado especial para o Oriente Médio, Steve Witkoff.

As relações entre os dois países estão praticamente congeladas há quase três anos. O encontro acontecerá poucos dias antes do aniversário de três anos da invasão russa da Ucrânia e foi organizado após uma conversa telefônica do presidente americano, Donald Trump, com seu homólogo russo, Vladimir Putin, na semana passada.

A Rússia deseja há alguns anos reorganizar a estrutura de segurança na Europa, exigindo, por exemplo, que a Otan retire suas forças do leste da Europa. O Kremlin alega que, ao atacar a Ucrânia, pretendia repelir a ameaça existencial que, segundo Moscou, a aliança atlântica representa.

O conflito na Ucrânia, no entanto, será apenas um dos vários tópicos da agenda da reunião em Riad, para a qual não foram convidados representantes da Ucrânia, nem das potências europeias.

A reunião "será dedicada principalmente a restabelecer o conjunto das relações russo-americanas", declarou o porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov.

Segundo ele, "também será dedicada à preparação de possíveis negociações sobre uma resolução ucraniana e à organização de um encontro entre os dois presidentes".

O Oriente Médio também pode ser mencionado nas conversas, acrescentou Peskov. A Rússia, que rivaliza com os Estados Unidos na região, observou os fracassos de vários aliados, incluindo o Irã e Bashar al-Assad na Síria, nos últimos meses.

- "Relações anormais" -

"Putin e Trump concordaram sobre a necessidade de deixar para trás relações absolutamente anormais. Os presidentes decidiram que o diálogo deveria ser retomado", explicou Lavrov.

Ao mesmo tempo, o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, viajará na quarta-feira (19) para a Arábia Saudita, anunciou seu porta-voz à AFP.

Segundo Zelensky, citado pela agência 'Interfax-Ukraine', seu governo não foi informado oficialmente sobre a reunião em Riad entre Rússia e Estados Unidos. Ele advertiu que a Ucrânia "não reconhecerá" nenhum acordo sobre seu futuro que seja negociado sem a sua participação.

Além disso, fez um apelo aos europeus: ele pediu uma "ação" para evitar um acordo forjado por Washington "às costas" da Ucrânia e da Europa, e propôs a criação das "Forças Armadas da Europa".

A decisão de Trump de telefonar para Putin na semana passada e proclamar o início de negociações para acabar com a guerra provocou mal-estar na Europa e no governo ucraniano.

A iniciativa gera o temor em Kiev de que Washington deixará a Ucrânia desamparada.

As potências europeias, que ficaram de fora das conversas entre Rússia e Estados Unidos, se reúnem nesta segunda-feira em Paris com o objetivo de definir uma resposta comum para garantir a segurança do Velho Continente.

Lavrov afirmou que os líderes europeus não têm espaço nas futuras negociações porque buscam "continuar com a guerra" na Ucrânia.

Marco Rubio indicou no domingo que não havia "nada" definido sobre as conversações entre Rússia e Estados Unidos. Ele destacou que "um processo de paz não é questão de uma reunião". Além disso, afirmou que quando começarem as "verdadeiras negociações", a Ucrânia deveria "estar envolvida".

O Kremlin, por sua vez, declarou há alguns dias que, em caso de negociações sobre o futuro da Ucrânia, Kiev participaria "de uma maneira ou de outra".

Putin exige que a Ucrânia ceda quatro regiões do leste e do sul de seu território, além da península da Crimeia, que Moscou anexou em 2014, e que desista do processo de adesão à Otan. As condições são rejeitadas categoricamente por Kiev.

Além disso, a Rússia deseja que Washington se comprometa a impedir que qualquer país da ex-União Soviética possa entrar para a Otan.

Moscou também pede que a organização retire suas tropas e armamentos dos Estados que aderiram à aliança atlântica após maio de 1997, o que inclui os países bálticos e a Polônia, vizinhos da Rússia, assim como Romênia e Bulgária, na costa do Mar Negro.

Otan e Estados Unidos rejeitaram as exigências em janeiro de 2022 e, um mês depois, Moscou invadiu a Ucrânia.

T.F.Russell--TNT

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