The National Times - Corte Constitucional da Guatemala ordena garantir posse de presidente eleito

Corte Constitucional da Guatemala ordena garantir posse de presidente eleito


Corte Constitucional da Guatemala ordena garantir posse de presidente eleito
Corte Constitucional da Guatemala ordena garantir posse de presidente eleito / foto: © AFP

A Corte Constitucional da Guatemala (CC), a máxima instância judicial do país, ordenou, neste sábado (7), garantir a posse, em janeiro, do presidente eleito, Bernardo Arévalo, alvo de uma série de ações judiciais.

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Em sua resolução, a CC pediu para "preservar o regime democrático do Estado, especialmente a alternância no exercício do poder", na data prevista de 14 de janeiro, depois das eleições gerais realizadas em primeiro e segundo turno em junho e agosto deste ano.

A decisão da Corte, divulgada em sua conta na rede X (antigo Twitter), ocorre depois de cinco dias de protestos com bloqueios de estradas, que exigem a renúncia da procuradora-geral Consuelo Porras e de outros funcionários, acusados por Arévalo e seus apoiadores de orquestrarem um "golpe de Estado".

A CC emitiu a sua resolução em resposta a um recurso judicial promovido por dez advogados da sociedade civil, que asseguraram existir uma "ameaça de que a vontade popular validamente expressa pelo povo da Guatemala não seja respeitada".

"Esta Corte apela aos governantes e governados para que exerçam os seus poderes e os seus direitos de forma que a transição prevista na Constituição se consolide no quadro de uma ordem institucional estável prevista pela Assembleia Constituinte", acrescentou.

Com a promessa de lutar contra a corrupção, Arévalo, de 64 anos, surpreendeu ao vencer as eleições no segundo turno, em 20 de agosto, contra a ex-primeira-dama Sandra Torres, próxima da poderosa elite empresarial aliada ao governo.

Mas, desde o primeiro turno das eleições, em junho, a procuradora-geral, apoiada pelo chefe do Ministério Público contra a Impunidade, Rafael Curruchiche, e pelo juiz Fredy Orellana - os três incluídos em uma lista dos EUA de líderes "corruptos" e "antidemocráticos" da Guatemala - empreendeu uma série de ações contra Arévalo e seu partido político, o Semilla (Semente).

O juiz Orellana, a pedido de Curruchiche, inabilitou o Semilla por supostas ilegalidades em sua formação em 2017, medida que poderá entrar em vigor em 31 de outubro.

- Almagro, mediador nos protestos -

Os bloqueios para exigir o fim das ações contra Arévalo e seu partido começaram na segunda-feira, após operações de busca na sede do tribunal eleitoral, onde funcionários do Ministério Público apreenderam registros eleitorais sob o argumento de que investigam supostas anomalias nas eleições.

Cinquenta rodovias do país continuavam paralisadas na sexta-feira, afetando trechos de estradas estratégicas como as que levam às fronteiras com México, El Salvador e Honduras, e também chegam à capital.

Agitando bandeiras da Guatemala, dezenas de estudantes bloquearam duas avenidas principais que cercam a universidade, no sul da Cidade da Guatemala, com ônibus, fitas e faixas.

"Fora, corruptos!", "Meu voto merece respeito!" foram algumas das palavras de ordem repetidas pelos manifestantes. "Chega, o povo soberano escolheu", diziam as faixas levadas por eles.

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, anunciou, neste sábado, que fará a mediação entre o governo e os setores sociais que mantêm os protestos, atendendo a um pedido enviado na sexta-feira pelo ministro das Relações Exteriores, Mario Adolfo Búcaro.

"Aceitamos um pedido do governo da Guatemala para realizar tarefas de mediação entre os setores sociais envolvidos nos protestos e o governo", afirmou Almagro na rede X.

A OEA, os Estados Unidos, a União Europeia e ONGs internacionais manifestaram sua preocupação com a situação na Guatemala, considerando que a democracia e a governabilidade deste país centro-americano, castigado pela pobreza, pela violência das gangues e pela corrupção, estão em perigo.

C.Bell--TNT