The National Times - OIT adota primeiro acordo internacional sobre trabalhadores de plataformas digitais

OIT adota primeiro acordo internacional sobre trabalhadores de plataformas digitais


OIT adota primeiro acordo internacional sobre trabalhadores de plataformas digitais
OIT adota primeiro acordo internacional sobre trabalhadores de plataformas digitais / foto: © AFP

A Organização Internacional do Trabalho (OIT), agência da ONU, adotou nesta sexta-feira (12) o primeiro acordo internacional sobre a proteção de trabalhadores de plataformas digitais.

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O Banco Mundial estimou, em 2023, que havia até 435 milhões de trabalhadores de plataformas digitais no mundo, grande parte deles fora das proteções trabalhistas tradicionais.

O crescimento dessas plataformas nas últimas décadas abriu novos mercados para as empresas e criou oportunidades de emprego e renda, oferecendo certa flexibilidade a alguns trabalhadores e sendo caracterizado por baixas barreiras de acesso, segundo a OIT.

No entanto, as condições de trabalho muitas vezes são precárias, já que os profissionais costumam ser contratados como autônomos ou prestadores de serviço, e não como empregados das empresas.

As companhias responsáveis pelos aplicativos controlam o trabalho por meio de algoritmos que distribuem tarefas, definem remuneração, avaliam desempenho e até desligam trabalhadores.

Isso permite, em muitos casos, contornar exigências relacionadas a salário mínimo, segurança no trabalho e acesso à proteção social.

O acordo da OIT busca ampliar as garantias trabalhistas para milhões de pessoas que atuam por meio de plataformas digitais, em setores como entrega de refeições e transporte.

Segundo o texto, ele se aplica a todos os trabalhadores de plataformas, independentemente de sua situação trabalhista.

- "Exigir responsabilidades" -

O acordo representa "um ponto de inflexão para os trabalhadores de plataformas", afirmou Lena Simet, assessora sênior de justiça econômica da Human Rights Watch, que acompanhou as negociações.

Segundo ela, o texto estabelece "a primeira norma mundial para proteger seus direitos e responsabilizar as plataformas digitais de trabalho".

O acordo foi adotado durante a 114ª Conferência Internacional do Trabalho, realizada em Genebra.

"Delegados, posso então considerar que a conferência adota o acordo em sua totalidade? Adotado", declarou o presidente da conferência, Juan Castillo, ao bater o martelo.

Países como Índia, Bangladesh e Estados Unidos defenderam uma aplicação flexível do acordo.

O representante indiano afirmou que é necessário preservar "a flexibilidade dos Estados-membros para elaborar e adaptar políticas em função de seu contexto socioeconômico e de seu desenvolvimento tecnológico".

Segundo ele, isso é especialmente importante para apoiar o crescimento de micro, pequenas e médias empresas e startups.

Os Estados Unidos recomendaram "prudência na adoção de regulações vinculantes em setores da economia em rápida transformação".

Segundo a delegação americana, isso vale para as plataformas digitais, onde "normas excessivamente rígidas podem dificultar a inovação e prejudicar os trabalhadores que supostamente deveriam ajudar".

O texto pede aos Estados-membros que adotem medidas para garantir direitos fundamentais, como a liberdade de associação, a negociação coletiva, a eliminação de todas as formas de trabalho forçado e a abolição efetiva do trabalho infantil.

A OIT é uma organização singular dentro do sistema das Nações Unidas, pois seus 187 Estados-membros são representados em igualdade de condições por governos, empregadores e trabalhadores.

B.Scott--TNT