The National Times - Crise editorial na França após boicote de autores à editora ligada a magnata

Crise editorial na França após boicote de autores à editora ligada a magnata


Crise editorial na França após boicote de autores à editora ligada a magnata
Crise editorial na França após boicote de autores à editora ligada a magnata / foto: © AFP

O setor editorial francês foi abalado nesta quinta-feira (16) pelo anúncio de 115 escritores de que não voltarão a publicar na tradicional editora Grasset, em protesto contra a saída de seu diretor, Olivier Nora, atribuída pelo grupo ao bilionário conservador Vincent Bolloré.

Alterar tamanho do texto:

A decisão, incomum no meio literário francês, reúne nomes de peso como Virginie Despentes, Frédéric Beigbeder, Sorj Chalandon e Bernard-Henri Lévy. O movimento ocorreu após o anúncio, no início da semana, da saída de Nora da direção da Grasset, cargo que ocupava havia 26 anos. A editora pertence ao grupo Hachette, controlado por Bolloré desde 2023.

Em carta aberta publicada na quarta-feira à noite, os 115 autores denunciaram "um ataque inaceitável contra a independência editorial" da Grasset. Os motivos da saída de Nora não foram oficialmente divulgados, mas o coletivo afirma que se trata de uma "demissão".

"Somos autores da Grasset, publicamos na Grasset ou temos um livro prestes a sair pela Grasset, mas não assinaremos nosso próximo livro na Grasset", afirmam os signatários.

No texto, eles prestam homenagem a Nora, apresentado como a figura que mantinha unida uma casa editorial marcada pela convivência de autores com opiniões muito diferentes.

"As edições Grasset eram nossa casa, especial, porque nelas conviviam pacificamente autoras e autores que não concordavam em muita coisa. Olivier Nora foi seu baluarte e seu cimento graças à sua elegância moral, sua disponibilidade e seu compromisso", diz a carta.

- "Editoras de extrema direita" -

Para os autores, a disputa vai além de uma mudança de comando. "Hoje temos algo em comum: nos recusamos a ser reféns de uma guerra ideológica que busca impor o autoritarismo em toda a cultura e nos meios de comunicação", afirmam.

A escritora Colombe Schneck disse à AFP que a saída de Nora foi "uma faísca" e acusou Bolloré de tentar transformar as editoras da Hachette em "editoras de extrema direita".

Conhecido na França por suas posições ultraconservadoras, Bolloré ampliou nos últimos anos sua influência no setor de mídia e cultura. Um de seus canais, a CNews, é frequentemente acusado de veicular comentários racistas.

Procurado pela AFP, o grupo Hachette não comentou de imediato a carta. A empresa informou nesta semana que Jean-Christophe Thiery, diretor-geral do Louis Hachette Group e homem de confiança de Bolloré, assumirá a direção da Grasset.

Os autores que assinam o texto estudam agora medidas para recuperar os direitos de seus livros publicados pela editora. Movimento semelhante também é cogitado por dezenas de escritores da Fayard, outra editora do grupo.

S.M.Riley--TNT

Apresentou

Banco central chinês anuncia novo apoio após forte queda das bolsas

O banco central chinês prometeu hoje medidas para estimular os mercados financeiros, após as iniciativas anteriores não terem conseguido inverter a tendência negativa das bolsas chinesas, que registaram em outubro o pior mês em acima de uma década. Quanto ao governador do Banco do Povo da China, Pan Gongsheng, apresentou anteriormente um relatório à liderança da Assembleia Nacional Popular, órgão legislativo máximo da China, no qual anunciou a “implementação eficaz de instrumentos de política monetária” para enfrentar os riscos financeiros em setores fundamentais, como os mercados de capitais

Nikkei perde 1,42% com pressão sobre empresas ligadas à inteligência artificial

O principal índice da Bolsa de Tóquio, o Nikkei, fechou hoje a cair 1,42%, pressionado pelas dúvidas no setor da inteligência artificial (IA), na sequência da vitória do Partido Democrata nas eleições intercalares nos Estados Unidos. Quanto ao indicador, que agrupa os 225 títulos mais representativos do mercado japonês, caiu 893,23 pontos, situando-se em 62.

PSI abre em alta com EDP Renováveis e EDP entre os destaques

A bolsa de Lisboa abriu a sessão em terreno positivo, com uma subida de 1,08% para 9. 323,72 pontos.

Ouro recupera e petróleo recua enquanto maioria democrata influencia mercados

O ouro ultrapassou a barreira dos quatro mil dólares, regressando a terreno positivo após os Democratas ganharem a maioria no Congresso dos EUA. O movimento do metal amarelo está em contraciclo com a descida observada no dólar.

Alterar tamanho do texto: