The National Times - Panamá conclui processo que anula concessão da Hutchison em portos

Panamá conclui processo que anula concessão da Hutchison em portos


Panamá conclui processo que anula concessão da Hutchison em portos
Panamá conclui processo que anula concessão da Hutchison em portos / foto: © AFP

A Justiça do Panamá deu por concluído o processo legal que anulou a concessão à companhia de Hong Kong CK Hutchison Holdings para operar dois portos no canal, ao publicar nesta segunda-feira (23) a decisão.

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A Suprema Corte do Panamá declarou em janeiro "inconstitucional" o contrato que permitiu à empresa Panama Ports Company (PPC), subsidiária da Hutchison, administrar desde 1997 os portos de Balboa, no Pacífico, e Cristóbal, no Atlântico.

No entanto, para que a sentença, que não admite recurso, entrasse em vigor, ainda faltavam alguns trâmites, concluídos nesta segunda-feira com a publicação da decisão no Diário Oficial.

Na sexta-feira (20), o porta-voz da PPC, Alejandro Kouruklis, reconheceu que a publicação da decisão no Diário Oficial significaria que "a concessão deixa de existir" e pediu ao governo panamenho que "negocie" com a empresa de Hong Kong o futuro dos portos para "evitar o caos".

Após a decisão judicial, proferida em meio às pressões dos Estados Unidos pela presença chinesa no canal, o presidente do Panamá, José Raúl Mulino, anunciou que a dinamarquesa Maersk operaria temporariamente esses terminais.

A decisão gerou incerteza nos portos, localizados nas duas entradas da via interoceânica, pelos quais, em 2025, passaram 38% dos contêineres que transitaram pelo Panamá.

"O caminho que está sendo seguido pode causar um caos" porque "não haverá ordem nem marco legal" em que fornecedores, trabalhadores e companhias marítimas possam confiar, havia declarado na sexta-feira Kouruklis ao canal panamenho TVN-2.

"Nosso plano não é sair, é conversar com o Estado para ver que solução pode ser dada a isso" e "não tomar decisões abruptas" para que um terceiro entre nas instalações "para assumir bens que não lhe pertencem", acrescentou.

Há dias, a Hutchison ameaçou a Maersk com "ações legais" caso assuma a administração dos terminais sem seu consentimento e anunciou que contestará a decisão na Câmara de Comércio Internacional (ICC), com sede em Paris, por causar "graves danos".

No entanto, a Corte panamenha afirma que a concessão, renovada por outros 25 anos em 2021, era "inconstitucional" e tinha "uma inclinação desproporcional a favor da empresa", prejudicando o Estado.

A decisão também foi divulgada em um momento em que a Hutchison Holdings pretende transferir seus portos, entre eles os do Panamá, a um grupo de empresas liderado pela americana BlackRock por 22,8 bilhões de dólares (R$ 118,56 bilhões).

D.Kelly--TNT

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