The National Times - Familias denunciam condições insalubres onde aguardam asilo nos EUA

Familias denunciam condições insalubres onde aguardam asilo nos EUA


Familias denunciam condições insalubres onde aguardam asilo nos EUA
Familias denunciam condições insalubres onde aguardam asilo nos EUA / foto: © AFP

Ele é chamado de centro residencial familiar, mas se trata de um recinto no estado americano do Texas onde famílias de imigrantes passam meses detidas em condições insalubres, enquanto aguardam uma resposta ao seu pedido de asilo.

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No mês passado, passaram por esse centro, localizado na cidade de Dilley, o equatoriano Liam Conejo, 5, e seu pai, Adrián, detidos durante operações contra imigrantes em Minneapolis. Os dois foram liberados por um juiz, mas ainda podem ser deportados.

"O exemplo de Liam é o caso típico de muitas famílias. Estavam em processo de asilo, compareciam às audiências judiciais, mas isso não adiantou, foram detidas da mesma forma", descreveu Javier Hidalgo, diretor jurídico da organização humanitária Raices. Historicamente, os solicitantes de asilo aguardam a tramitação dos seus casos em liberdade.

Por meio da organização, a AFP teve acesso a depoimentos de pessoas que permanecem em Dilley. O Texas abriga os dois centros de detenção para famílias de imigrantes nos Estados Unidos. O outro fica no condado de Karnes.

A unidade de Dilley tem capacidade para cerca de 2.000 pessoas. No começo deste mês, autoridades de saúde admitiram possíveis surtos de sarampo no local, e informaram que haviam colocado as pessoas afetadas em quarentena.

- 'Estamos na prisão' -

A haitiana W., 34, e seu filho, 2, entraram no país pela fronteira sul, por uma rota regular habilitada pelo governo anterior, e solicitaram asilo. Instalaram-se em Ohio, mas foram detidos por agentes do ICE durante uma viagem a Nova York e transferidos para Dilley em outubro de 2025.

"Meu filho e eu estamos na prisão, não temos privacidade. As luzes ficam acesas noite e dia, mesmo quando estamos dormindo. Não temos acesso a água engarrafada ou a atendimento médico", declarou W. à Raíces em novembro.

"Certa vez reclamaram porque serviram brócolis com insetos dentro. A segurança teve que intervir para acalmar as pessoas", contou a haitiana.

Já a colombiana Diana, mãe de uma menina de 10 anos que sofre da doença de Hirschsprung, foi detida em outubro de 2025, após viver com um monitor GPS no Alabama desde 2024. Em Dilley, a dieta inadequada agrava as condições da criança.

Muitas vezes, servem apenas frituras, o que o corpo da menina não tolera e a faz vomitar. "A médica me disse que eles não estavam ali para me dar conforto, que eu estava detida, e que a única responsabilidade deles era garantir que não passássemos fome", contou Diana.

A haitiana Crislane, por sua vez, foi detida em agosto de 2025 com seus três filhos em Nova York, apesar de ter permissão de trabalho, pagar impostos e de as crianças frequentarem a escola. "É muito difícil dormir aqui. As luzes nunca se apagam e o barulho nunca termina", descreveu a imigrante, de 40 anos.

Dilley também abriga famílias procedentes de Azerbaijão, Quirguistão, China, Camarões, Rússia, Honduras e Venezuela que tentaram cruzar a fronteira em 2025. Este centro do ICE é administrado pela empresa privada CoreCivic, sob o nome de Centro de Processamento de Imigração de Dilley.

"A saúde e a segurança daqueles sob nossos cuidados são nossa maior prioridade. Nossos parceiros no ICE compartilham esse compromisso, e trabalhamos estreitamente com eles para garantir o bem-estar de todos", ressaltou a empresa à AFP. Mas, segundo Javier Hidalgo, "desde que uma criança entra ela já está sendo prejudicada, e a intenção é forçar as famílias a desistir do processo de asilo" e aceitar a deportação.

- Oito meses -

Uma mãe egípcia e seus cinco filhos (de 5 a 18 anos) estão em Dilley há oito meses, depois que o pai das crianças foi preso, acusado de atacar uma manifestação pró-Israel no Colorado. Autoridades investigam se a família, que entrou no país em 2022, em busca de asilo, estava envolvida.

"Gostaríamos de ter sabido do plano horrível [de seu pai], para tentar impedi-lo e evitar que ele machucasse outras pessoas", escreveu Habiba, 18, em carta divulgada pelo advogado Eric Lee.

Um dos irmãos da jovem "teve apendicite, e levou dias para ser atendido", disse o advogado Chris Godshall-Bennett. "A comida é terrível, não há comida adequada para crianças. Não vão à escola. Este não é um lugar para crianças", acrescentou.

A haitiana W. contou que acorda angustiada todas as manhãs. "Choro o tempo todo, e meu filho enxuga minhas lágrimas. Oficiais do ICE vieram e me pediram que assinasse minha deportação, mas quero lutar pelo meu caso. Ainda não sei por que estou aqui."

K.M.Thompson--TNT

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