The National Times - EUA improvisa programa de controle das finanças venezuelanas que levanta questionamentos

EUA improvisa programa de controle das finanças venezuelanas que levanta questionamentos


EUA improvisa programa de controle das finanças venezuelanas que levanta questionamentos
EUA improvisa programa de controle das finanças venezuelanas que levanta questionamentos / foto: © AFP

A rapidez das mudanças na Venezuela após a derrubada do presidente Nicolás Maduro levou Washington a improvisar um programa de controle das finanças públicas do país que suscita questionamentos, segundo o próprio chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, e especialistas.

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"Conseguimos criar um mecanismo de curto prazo (...) segundo o qual as necessidades do povo venezuelano podem ser atendidas", escreveu Rubio na quarta-feira (28), em audiência no Senado.

"Eles nos entregarão um orçamento todos os meses, e nós diremos no que não podem gastar", afirmou, em referência ao governo da presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez.

"Eles têm sido muito cooperativos até agora", assegurou.

Depois de atacar a Venezuela em 3 de janeiro para capturar Maduro, o presidente Donald Trump declarou que estava "no comando" do país e da gestão de sua indústria petrolífera.

Um ensaio de "microgestão" das finanças de uma nação de 30 milhões de habitantes, maior que o Texas, é algo inédito para os Estados Unidos na região.

Como etapa preliminar, Washington utilizou sua principal arma: o bloqueio de navios petroleiros sancionados, que rapidamente dobrou a escassa resistência de Caracas.

Esse bloqueio foi decisivo para lançar esse programa "inovador", nas palavras de Rubio, a ponto de que "desde que Maduro foi derrubado, nenhum único navio ilegal se dirigiu à Venezuela", revelou.

Rodríguez declarou publicamente que a Venezuela "não aceita ordens", embora também tenha reconhecido que o país está comprando material dos Estados Unidos com o dinheiro desbloqueado.

- Ceticismo de senadores -

Os senadores que interrogaram Rubio demonstraram ceticismo quanto ao bom uso dos primeiros 300 milhões de dólares (R$ 1,56 bilhão) desbloqueados.

"Será necessário realizar uma auditoria retroativa de como esse dinheiro foi gasto. Mas provavelmente há outros 2,5 a 3 bilhões de dólares (R$ 12,98 bilhões a R$ 15,57 bilhões) a caminho, que serão submetidos a um controle prévio", explicou o secretário de Estado.

Esse esquema também enfrenta outros problemas, reconheceu Rubio.

O dinheiro da venda do petróleo venezuelano está sendo depositado no Catar porque o governo venezuelano enfrenta nos Estados Unidos numerosas ações judiciais de fundos de investimento e empresários, desde a época do falecido presidente Hugo Chávez (1999-2013).

Essa situação deverá mudar em algum momento, para que os recursos sejam depositados em contas sob controle direto do Departamento do Tesouro, assegurou.

- Cooperação "muito boa" -

O presidente Donald Trump anunciou na quinta-feira que suspendia parcialmente o embargo ao petróleo venezuelano, depois que Caracas abriu espaço para o investimento estrangeiro privado com a aprovação de uma reforma da lei de hidrocarbonetos.

Trump também anunciou a reabertura do espaço aéreo venezuelano e reiterou que a cooperação com Rodríguez é "muito boa".

"Temos as grandes companhias petrolíferas a caminho da Venezuela, inspecionando e escolhendo suas localizações, e elas vão trazer de volta uma riqueza tremenda para a Venezuela e para os Estados Unidos", explicou.

"De fato, a Venezuela vai ganhar mais dinheiro do que jamais ganhou", assegurou.

Alguns especialistas se mostram críticos em relação a essa situação.

"Eu diria que não pode haver recuperação [econômica] sem direitos", declarou no recente Fórum de Davos o ex-ministro do Planejamento venezuelano Ricardo Hausmann, atualmente professor de economia política em Harvard.

Essa é a tese defendida pela líder opositora María Corina Machado, que multiplica encontros em Washington e pede, antes de tudo, a libertação dos presos e garantias de direitos políticos.

"É importante ter em conta que o petróleo não é apenas a principal fonte de receitas e divisas do governo; também constitui a principal base de financiamento para a reconstrução do país", explicou à AFP Martín Campos, chefe de pesquisa sobre América Latina do Instituto de Finanças Internacionais.

Caracas não tem outra opção devido a "seu baixo nível de reservas internacionais, a fragilidade de suas finanças públicas e seu elevado nível de endividamento", descreve o especialista.

"Criamos o que esperamos que seja uma transição para um mecanismo que permita vender esse petróleo de maneira normal", afirmou Rubio.

Os Estados Unidos não têm vocação para administrar indefinidamente a economia venezuelana, reiterou.

F.Harris--TNT

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