The National Times - Estudo para o G20 sugere venda de ouro do FMI para abater dívida africana

Estudo para o G20 sugere venda de ouro do FMI para abater dívida africana


Estudo para o G20 sugere venda de ouro do FMI para abater dívida africana
Estudo para o G20 sugere venda de ouro do FMI para abater dívida africana / foto: © AFP

O presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, recebeu com satisfação, nesta terça-feira (18), um relatório encomendado pelo G20, que propõe vender parte das "reservas de ouro" do FMI e rever as práticas creditícias para abater a dívida de países da África.

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As duas propostas constam de um estudo elaborado por especialistas, encomendado para a primeira cúpula do G20 na África, que reunirá cerca de 20 chefes de Estado em Joanesburgo no próximo fim de semana.

"Em nível mundial, mais de 3,4 bilhões de pessoas vivem em países que gastam mais no serviço da dívida do que com educação ou saúde", apontou o documento entregue a Ramaphosa.

"Os governos estão literalmente descumprindo seus compromissos de desenvolvimento para cumprir com suas obrigações da dívida", acrescentou.

O documento inclui cifras que indicam que a dívida pública dos países em desenvolvimento superou em 2024 os 31 trilhões de dólares (aproximadamente R$ 191,9 trilhões, em cotação de dezembro passado).

Segundo o informe, o G20 deveria colaborar com o FMI e o Banco Mundial para criar um plano de refinanciamento da dívida para os países de baixa renda e vulneráveis.

Uma forma de fazê-lo seria vender parte das dezenas de milhões de onças de ouro que o FMI possui, afirmou o diretor do Painel de Especialistas da África, Trevor Manuel, ex-ministro das Finanças da África do Sul.

O ouro do FMI está cotado em seus balanços segundo seu preço histórico de US$ 50 a onça (R$ 266,7, em valores atuais), apesar de atualmente o metal precioso ser vendido no mercado acima dos US$ 4 mil a onça (R$ 21.342), assinalou.

A proposta consiste em criar um mecanismo transparente para a venda de parte deste recurso para financiar os países com problemas de endividamento, explicou Manuel.

"Há muitos detalhes que podem e devem ser resolvidos, mas é uma solução que temos diante dos nossos olhos e que não tem porque custar dinheiro", afirmou.

Após receber o relatório, Ramaphosa disse que era "bom saber (...) que há uma reserva de ouro no FMI".

"Este é o tipo de recurso que pode ser colocado à disposição para garantir ou financiar, em parte, a dívida de muitos países do Sul Global", afirmou.

P.Murphy--TNT

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