The National Times - Líderes do Mercosul se reúnem no Rio com acordo com UE em xeque

Líderes do Mercosul se reúnem no Rio com acordo com UE em xeque


Líderes do Mercosul se reúnem no Rio com acordo com UE em xeque
Líderes do Mercosul se reúnem no Rio com acordo com UE em xeque / foto: © AFP

Os líderes dos países do Mercosul se reunirão na quinta-feira (5) no Rio de Janeiro, em meio a fortes resistências para finalizar o acordo comercial com a União Europeia (UE), apesar do objetivo inicial de ambas as regiões de fechá-lo este ano.

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O Brasil, presidente pro tempore do bloco sul-americano formado por Argentina, Paraguai e Uruguai, esperava fechar ainda na cúpula do Rio este acordo de livre comércio, negociado há mais de duas décadas e que criaria a maior zona de livre comércio do planeta.

Ambas as partes intensificaram as negociações nas últimas semanas, com "progressos significativos", concordaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, quando se reuniram na última sexta-feira à margem da COP28, em Dubai.

Mas nos últimos dias as negociações não pareciam progredir: a França mostrou o seu desacordo com o texto e a Argentina afirmou que "não há condições" para a conclusão do tratado.

- Macron: um acordo "mal remendado" -

O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou no sábado em Dubai que o acordo está "mal remendado", "desmantela tarifas" como se fazia antes e não "leva em conta a biodiversidade e o clima".

Da mesma forma, o atual presidente da Argentina, Alberto Fernández, que participará de sua última cúpula do Mercosul, considerou que não há "condições" para aprovar o texto na sua versão atual e apontou "a resistência" da Europa ao tratado, especialmente da França.

Uma nova rodada de negociações planejada no Rio, às vésperas da cúpula, passou para o formato virtual, disse à AFP uma fonte do Itamaraty.

"Devido à transição em curso na Argentina, a tendência" é deixar as decisões pendentes para o próximo governo do ultraliberal Javier Milei, que assume o poder em 10 de dezembro, argumentou o informante.

Em uma visita recente a Brasília, a futura chanceler argentina, Diana Mondino, destacou a "importância de assinar o acordo com a UE o mais rápido possível".

- Lula: "Não vou desistir" -

Mas Lula não desistirá de seus esforços para fechar o tratado no Rio. Na segunda-feira, garantiu em Berlim, junto com o chanceler alemão, Olaf Scholz, que não desistirá "enquanto não conversar com todos os presidentes e ouvir o 'não' de todos".

"A França sempre foi o país mais duro para fazer acordo, porque a França é mais protecionista. Não é a mesma posição da União Europeia, que pensa outra coisa", disse Lula no fim de semana.

Scholz, à frente da maior economia europeia, apelou ao pragmatismo para "chegar a um compromisso".

A UE e o Mercosul estabeleceram as linhas gerais de um pacto de livre comércio em 2019, após anos de negociações para alinhar interesses e convencer setores relutantes, como os agricultores franceses.

Mas as divergências ressurgiram e os europeus acrescentaram uma seção de exigências ambientais ao bloco sul-americano, especialmente para o Brasil, que abriga a maior parte da Amazônia, fundamental para o combate à mudança climática.

O Mercosul, que em conjunto representa a quinta maior economia do mundo, rejeitou o "protecionismo verde" da Europa e respondeu com suas próprias exigências, como a criação de um fundo ambiental para apoiar os países em desenvolvimento.

- Ultimato do Paraguai -

Se um acordo não for alcançado este ano, as comportas para sua conclusão poderão se fechar em janeiro, quando o Paraguai assumir o mandato do bloco sul-americano. Seu presidente, Santiago Peña, disse que após o prazo se concentrará em outras regiões.

"O acordo está morto, mas ninguém se atreve a declará-lo morto e enterrá-lo", disse à AFP o pesquisador da London School of Economics, Bruno Binetti.

O bloco sul-americano, ao qual a Bolívia somou-se como membro pleno, tentará pelo menos mostrar suas conquistas.

Durante a cúpula, precedida na quarta-feira por reuniões de ministros das Relações Exteriores e das Finanças, deve ser assinado um acordo comercial com Singapura, o primeiro do Mercosul em 12 anos, e o primeiro com um país asiático.

Ao mesmo tempo, surgem dúvidas sobre o futuro funcionamento do grupo fundado em 1991, especialmente a dinâmica entre os líderes das duas principais economias da sub-região: Lula e o argentino Milei, que chamou o brasileiro de "comunista" e "corrupto" durante sua campanha.

Milei também é muito crítico do atual Mercosul.

Por outro lado, o Uruguai inicia negociações comerciais com a China, contrariando um compromisso de longa data dos Estados-membros do Mercosul de negociar em conjunto com países terceiros.

O presidente uruguaio, Luis Lacalle Pou, disse que proporá na cúpula uma reunião do Mercosul com Pequim.

A.M.Owen--TNT

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