The National Times - Casa Branca defende polícia migratória após morte de mulher por agente

Casa Branca defende polícia migratória após morte de mulher por agente


Casa Branca defende polícia migratória após morte de mulher por agente
Casa Branca defende polícia migratória após morte de mulher por agente / foto: © AFP

A Casa Branca defendeu nesta quinta-feira (8) a atuação da polícia migratória, que matou a tiros ontem uma mulher em Minneapolis, onde milhares de pessoas questionaram nas ruas a versão oficial, de legítima defesa.

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O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, afirmou que a polícia abriu fogo contra a cidadã americana, de 37 anos, para proteger a sua vida e a dos seus colegas no momento em que a vítima tentava atropelá-los. Mas a oposição democrata local nega essa versão e denuncia "uma propaganda" do governo republicano, com base em vários vídeos.

Centenas de pessoas se reuniram hoje no subúrbio do reduto democrata para exigir a saída da polícia migratória (ICE, sigla em inglês), principal instrumento da política de deportação em massa do governo americano. Também houve manifestações em outras cidades americanas, entre elas Washington, D.C. e Nova York.

- 'Movimento esquerdista perigoso' -

Em Minneapolis, a polícia prendeu várias pessoas após confrontos entre manifestantes e agentes. Outra concentração ocorreu no local do tiroteio, de forma pacífica, com a participação de centenas de moradores e discursos de autoridades locais.

Ali, aos pés de uma árvore sem folhas, um memorial foi improvisado com dezenas de buquês de flores depositados sobre a neve e velas acesas. "O ódio não nos torna grandes", dizia uma placa discreta, em tinta verde.

O americano Abdinasir Abdullahi, 38, de origem etíope, disse à AFP que já não sai de casa sem levar o passaporte, por medo das operações dos serviços migratórios. "Não acreditam quando digo que sou americano."

Uma campanha que já arrecadou cerca de US$ 840.000 (R$ 4,5 milhões) foi lançada para apoiar a família da vítima, a poetisa Renee Nicole Good, mãe de três filhos. Fotografias em que ela aparece sorrindo foram espalhadas pelas ruas de Minneapolis. "Assassinada pelo ICE", está escrito na imagem.

O governo Trump defendeu a atuação dos seus agentes. "O incidente mortal ocorrido ontem em Minnesota é resultado de um movimento esquerdista perigoso (...) que se espalhou por todo o país, onde os bravos homens e mulheres das forças de ordem são alvo de um ataque organizado", disse a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt.

- Floyd -

A menos de 2 km de onde Renee Nicole perdeu a vida, George Floyd morreu em 2020 nas mãos de um policial, o que gerou uma onda de protestos contra o racismo nos Estados Unidos.

O caso que comovia hoje a cidade de Minnesota aconteceu na manhã de ontem, quando o ICE realizava uma ampla série de operações envolvendo cerca de 2 mil agentes. Para questionar a versão oficial dos fatos, funcionários locais se baseiam em vídeos feitos por testemunhas.

As imagens mostram o carro da vítima bloqueando a passagem de um comboio do ICE. Em seguida, policiais pedem à motorista que saia do veículo, e um deles tenta abrir a porta. Quando o carro arranca para a direita com o objetivo de se afastar dos agentes, um policial posicionado à esquerda do veículo atira.

O FBI investiga o caso. A secretária de Segurança Nacional, Kristi Noem, classificou ontem o incidente como "terrorismo interno" e afirmou que a vítima "vinha assediando e obstruindo o trabalho do ICE durante todo o dia".

Várias pessoas morreram ao tentar escapar de controles da polícia migratória americana nos últimos meses. Agentes também atiraram em motoristas que tentaram atropelá-los, segundo a versão do governo, o que causou uma morte em setembro, em Chicago.

V.Allen--TNT