The National Times - As acusações que pesam contra Maduro nos EUA

As acusações que pesam contra Maduro nos EUA


As acusações que pesam contra Maduro nos EUA
As acusações que pesam contra Maduro nos EUA / foto: © X account of Rapid Response 47/AFP

A denúncia apresentada contra Nicolás Maduro incrimina o líder venezuelano deposto, sua esposa e seu filho por fazerem parte de uma conspiração, junto com outras três pessoas, para introduzir toneladas de cocaína nos Estados Unidos.

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Maduro e a esposa, Cilia Flores, que se declararam não culpados, enfrentam, junto com os demais corréus, quatro acusações graves e podem ser condenados à prisão perpétua se o júri federal de Nova York que eventualmente ficará encarregado do caso os declarar culpados.

Espera-se que Maduro, de 63 anos, conteste as acusações alegando que goza de imunidade presidencial, e seu advogado, na leitura das acusações na segunda-feira, questionou a "legalidade de seu sequestro" por forças dos Estados Unidos.

As acusações específicas da denúncia são conspiração para narcoterrorismo, conspiração para a importação de cocaína, posse de metralhadoras e artefatos destrutivos, e conspiração para possuir metralhadoras e artefatos destrutivos.

A acusação de conspiração para narcoterrorismo decorre de alegações de que Maduro se associou aos grupos rebeldes colombianos Farc e ELN, aos cartéis mexicanos de Sinaloa e Los Zetas, e ao grupo venezuelano Tren de Aragua para movimentar grandes quantidades de cocaína.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos designou o Cartel de Sinaloa, Los Zetas e o Tren de Aragua como "organizações terroristas estrangeiras".

O já dissolvido grupo rebelde marxista Farc foi retirado da lista em 2021.

O ELN, o Exército de Libertação Nacional, que controla regiões-chave de produção de drogas na Colômbia, permanece na lista.

"Maduro e seus co-conspiradores, durante décadas, colaboraram com alguns dos narcotraficantes e narcoterroristas mais violentos e prolíficos do mundo, e contaram com o apoio de funcionários corruptos de toda a região para distribuir toneladas de cocaína aos Estados Unidos", afirma a denúncia.

Uma acusação anterior dos Estados Unidos contra Maduro, de 2020, descrevia-o repetidamente como o líder de um grupo narcotraficante conhecido como Cartel dos Sóis.

No entanto, a denúncia substitutiva revelada no sábado após a captura de Maduro mal menciona o Cartel dos Sóis, que foi designado "organização terrorista estrangeira" pelo Departamento de Estado em novembro.

Segundo alguns especialistas em Venezuela, o Cartel dos Sóis nunca existiu como uma organização formal.

Essa última acusação se refere ao cartel como um "sistema de clientelismo" para canalizar lucros do narcotráfico para "funcionários civis, militares e de inteligência de base corruptos".

De acordo com o centro de estudos InSight Crime, o nome foi cunhado ironicamente por meios de comunicação venezuelanos em 1993, depois que dois generais foram capturados por narcotráfico. O sol é uma insígnia nos uniformes militares dos generais venezuelanos.

O ex-chefe dos serviços de inteligência venezuelanos, o major-general Hugo "Pollo" Carvajal, atualmente preso nos Estados Unidos, enviou em dezembro uma carta ao presidente Donald Trump, reproduzida por meios de comunicação internacionais, na qual afirmava que o cartel passou a ser "uma organização criminosa" para "utilizar a droga como arma contra os Estados Unidos".

— "Sequestros, espancamentos e assassinatos" —

Junto com Maduro, foram acusados sua esposa, Cilia Flores; seu filho, Nicolás Ernesto Maduro Guerra; o ministro do Interior, Diosdado Cabello Rondón; o ex-ministro do Interior Ramón Rodríguez Chacín; e o suposto líder do Tren de Aragua, Héctor Rusthenford Guerrero Flores.

Os Estados Unidos não reconhecem os resultados das recentes eleições presidenciais venezuelanas, assim como a União Europeia e outros países, e a denúncia descreve Maduro como o "governante de fato, porém ilegítimo", da Venezuela.

A denúncia de 25 páginas remonta sua suposta participação no narcotráfico pelo menos até 1999.

Maduro e os demais acusados "se associaram a traficantes de entorpecentes e grupos narcoterroristas, que despacharam cocaína processada da Venezuela para os Estados Unidos por meio de pontos de transbordo no Caribe e na América Central, como Honduras, Guatemala e México".

Maduro e "outros funcionários corruptos" forneceram "cobertura policial e apoio logístico" para o transporte de cocaína produzida na Colômbia para os Estados Unidos, segundo a denúncia.

Enquanto foi chanceler entre 2006 e 2008, Maduro teria fornecido passaportes diplomáticos venezuelanos a narcotraficantes conhecidos, permitindo que eles transferissem lucros ilícitos das drogas do México para a Venezuela sob cobertura diplomática, afirma o texto.

A denúncia sustenta que, entre 2004 e 2015, Maduro e Flores, sua esposa, "trabalharam juntos para traficar cocaína, grande parte da qual havia sido previamente apreendida pelas forças de segurança venezuelanas".

Eles ordenaram "sequestros, espancamentos e assassinatos contra aqueles que lhes deviam dinheiro de drogas ou que, de alguma forma, prejudicavam sua operação de narcotráfico", afirma o texto.

A próxima audiência foi marcada para o dia 17 de março.

C.Blake--TNT