The National Times - HRW faz alerta sobre mortes de operários migrantes nas obras da Copa do Mundo da Arábia Saudita-2034

HRW faz alerta sobre mortes de operários migrantes nas obras da Copa do Mundo da Arábia Saudita-2034


HRW faz alerta sobre mortes de operários migrantes nas obras da Copa do Mundo da Arábia Saudita-2034
HRW faz alerta sobre mortes de operários migrantes nas obras da Copa do Mundo da Arábia Saudita-2034 / foto: © AFP

A Copa do Mundo de 2034, que será disputada na Arábia Saudita, não deveria ser organizada "sobre os ombros de trabalhadores mortos", pediu a organização Human Rights Watch (HRW), que publicou nesta quarta-feira (14) um relatório sobre as violações dos direitos dos operários migrantes no reino.

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O relatório é baseado especialmente em entrevistas com 31 famílias de trabalhadores que faleceram nas obras de 'megaprojetos', procedentes de Bangladesh, Índia e Nepal, com idades entre 23 e 52 anos.

A organização também ouviu os depoimentos de três testemunhas diretas de acidentes fatais.

"Muitos trabalhadores migrantes na Arábia Saudita morreram em acidentes de trabalho que poderiam ter sido evitados", afirma o relatório.

"A maioria das mortes não é caracterizada como acidente de trabalho, o que priva as famílias de indenizações. E quando isso é possível, o processo para receber a indenização é longo e exaustivo", destaca a organização não governamental.

"Aconteceram eletrocussões, decapitações, esmagamentos: a Arábia Saudita é um ambiente de trabalho extremamente perigoso", disse Michael Page, diretor adjunto da HRW para o Oriente Médio e o Norte da África, durante uma videoconferência de imprensa.

A exposição prolongada ao calor, à areia e à poeira, as leis existentes mas que não são aplicadas, a inexistência de liberdade de expressão, sindical ou de imprensa "deveriam ter feito soar o alarme na Fifa" no momento de atribuir a sede da Copa do Mundo, acrescentou.

"O balanço de mortos não é conhecido, já que nenhuma instituição pode documentá-los", destacou Ambet Yuson, secretário-geral da Federação Internacional dos Sindicatos de Trabalhadores da Construção e da Madeira (BWI), colaborador da HRW.

"Chega de megaprojetos, cidades inteligentes, Copa do Mundo na Arábia Saudita sobre os ombros de trabalhadores mortos", disse.

As equipes da BWI foram impedidas de entrar no território saudita para investigar, assim como já havia acontecido no Catar antes da Copa do Mundo de 2022, um paralelo destacado pelos autores do relatório.

Na Arábia Saudita, um primeiro imigrante que trabalhava em uma obra vinculada à Copa do Mundo de 2034 morreu em abril, segundo a HRW.

Nicholas McGeehan, fundador e dirigente da FairSquare, uma ONG de defesa dos direitos humanos, foi contundente: "É quase certo que milhares de trabalhadores morrerão, diretamente ligados à Copa do Mundo, e isso é inaceitável".

Segundo Michael Page, "a Fifa é responsável pela supervisão das construções dos estádios, mas também pelo desenvolvimento das infraestruturas necessárias para receber a competição".

Em uma carta enviada em 18 de abril à HRW, a Fifa afirmou que garante "uma forte proteção aos trabalhadores" empregados "na construção das sedes" da Copa do Mundo de 2034 e lembrou o compromisso da candidatura saudita de colaborar estreitamente com a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

"Embora seja necessário examinar mais de perto os problemas, também consideramos que merecem ser reconhecidos os esforços sinceros para melhorar a situação", escreveu o secretário-geral da Fifa, Mattias Grafström, na carta.

O dirigente também lembrou as melhorias desde 2018 na "mobilidade dos trabalhadores", a proteção dos salários, a padronização dos contratos de trabalho e "o fortalecimento das exigências em termos de saúde e segurança no trabalho".

Assim como aconteceu com o Catar, a Fifa está "convencida" de que as medidas implantadas nas obras do Mundial de 2034 "podem estabelecer um novo padrão para a proteção dos trabalhadores no país e contribuir para um processo mais amplo de reforma trabalhista".

F.Lim--TNT

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